O meu Vincent também já sofreu disto, num dia em que foi por mim abandonado à hora do almoço, eis que se enfiou numa loja para espreitar tecnologia. Ia só espreitar. Ao final do dia, em casa, senta-se à mesa na cozinha enquanto eu preparava o jantar e com um grandessíssimo ar de puto envergonhado, começa a tirar de dentro de um saco, primeiro uns jogos para a playstation – que estava mesmo a precisar - depois uma caixa, e dentro da caixa um leitor de cartões de memória, de pens, de discos externos, formatos mp4 e o diabo a sete – que também estavamos mesmo a precisar para as nossas sessões de home cinema. Envergonhado, não sei porquê (não sabia, agora já sei), mas feliz. Os jogos foram uma boa compra, uma promoção e tal, e o leitor fazia lá mesmo falta na sala ao pé dos outros aparelhos, todos ligados entre si, num nunca mais acabar de fios. Ai, perdão, cabos mdls, cabos.
«estou a ver que não te posso deixar sozinho à hora do almoço»
«olha, estava a pegar nas coisas lá na loja e a pensar precisamente nisso, que se tivesses almoçado comigo eu não teria ido lá e não tinha tido esta necessidade de gastar este dinheiro»
«olha, estava a pegar nas coisas lá na loja e a pensar precisamente nisso, que se tivesses almoçado comigo eu não teria ido lá e não tinha tido esta necessidade de gastar este dinheiro»
«tipo: apanhaste-te sozinho e toca a gastar dinheiro em tecnologia»
«sim, foi isso mesmo que pensei, ela não está e eu aproveito para gastar. se calhar se ela estivesse aqui íamos debater a despesa e eu acabava por não comprar. mas olha os jogos foram uma boa compra – olhos a brilhar – e o leitor eu ia comprar mais cedo ou mais tarde, já tínhamos andado os dois a ver e tudo»
«sim, foi isso mesmo que pensei, ela não está e eu aproveito para gastar. se calhar se ela estivesse aqui íamos debater a despesa e eu acabava por não comprar. mas olha os jogos foram uma boa compra – olhos a brilhar – e o leitor eu ia comprar mais cedo ou mais tarde, já tínhamos andado os dois a ver e tudo»
Talvez a diferença do que agora conto e do que conta o Bagaço , e oxalá o meu Vincent tivesse sempre isso muito presente, é que talvez não seja a paixão que me safe, mas o quanto realmente eu o amo, para de seguida num grande sorriso lhe ter afagado o cabelo, seguido de um beijinho e, mais coisa menos coisa, isto: «fizeste bem. apeteceu-te, não apeteceu? então mostra lá os jogos e explica lá como funciona o leitor» e tê-lo sentido aliviado pela aceitação, que no meu caso, está mesmo num nível muito elevado.
Se aquilo me serve para alguma coisa? Não, mas serve para ele e isso basta.
2 Comentários:
a uma playstation ainda não tive direito. ando a tentar... :)
Estão espalhados pelo meu blog alguns posts sobre os benefícios de ter um namorado entretido com uma playstation. Podes sempre ver se os argumentos te servem :-)
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